sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Sobre Comunicação e Política
Mídias Sociais
Fato é, que as pessoas desde então andam se organizado de acordo com seus interesses, das mais chulas pornografias até as mais nobres causas anticorrupção, existem comunidades para todos os gostos. Para o mercadão não poderia ter acontecido algo melhor do que os públicos se amotinarem por conta própria. Não existe pesquisa melhor que acompanhar o que andam opinando sobre diversos temas e produtos na internet, lugar onde os individuos se encontram livres e descontraídos. Super eficiente e com a generosa vantagem de ser gratuito.
O exemplo maior, que inclusive já ganhou um post inteiro do Criaplano é o Carrefour. Quem não sabia que a logomarca do supermercado era um C, provavelmente ficou sabendo graças à “mobilização” dos internautas no Orkut.
Um dos consensos entre os membros reunidos na comunidade “Farsa do símbolo do Carrefour” é acerca da ilusão que várias pessoas tinham da marca: “não é uma carinha feliz ou um ET de gorrinho vermelho como todos pensávamos”.

E por mera coincidência, veja quem aparece depois o “Precinho”:

Precinho o ET de gorrinho vermelho
Isso se repete com vários produtos que “por acaso” são lançados no mercado e suprem a necessidade dos internautas.
Chamito/Yakult:


Danoninho:


Pare para reparar e encontrará inúmeros exemplos, além destes que cito a Skol Litrão, Ruflles de 500g. Aos que sabem mais algum caso semelhante, não deixem de comentar e compartilhá-lo!
Era do Rádio 2
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Para não ficar só no som...
Parece meio pirado e é mesmo. Eu e meu querido grupo tínhamos como desafio colocar um argumento, ideia dentro do formato audiovisual. Detalhe, ninguém sabia operar uma câmera e tampouco um Adobe Premier da vida. "Aprendemos" no tapa.
Nossa palavra chave foi Construção. Ficamos refletindo sobre as nossas vidas, como cada escolha leva a um lugar diferente, a tal ponto que estávamos nós discutindo um trabalho a ser feito. Nascemos em locais e épocas diferentes, com culturas e interesses muito diversos e estávamos juntas num mesmo objetivo.
Ai veio a viagem da construção, a vida é construída continuamente. Gravamos então uma "personagem-andante" que passa por diversos planos. Em determinado momento seus passos se misturam com o de outros, formando uma caminhada mesclada de pés. Cada pé tem um barulho de obra distinto, a "personagem-andante" é um martelo, os sons também se juntam e formam uma obra completa.(?)
Ainda que quase ninguém tenha entendido nossa intenção (era pra entender?), que o trabalho tenha sido muito grande, valeu a pena. Transformar ideias em resultados é muito gratificante, principalmente quando se integra um grupo disposto a experimentar loucuras.
Série sobre Era do Rádio
Entre um leque inesgotável de estudos para se debruçar, uma amplitude enorme de assuntos para escolher, optei - como o título do post já denunciou - por dedicar meus dias a Era do Rádio. O objetivo era entender os Anos Dourados e todo o seu contexto histórico para chegar a um ponto pretendido, as músicas da época.
Comecei tendo nções gerais sobre a Era do Rádio, fui para uma análise sociológica do Brasil das décadas de 40 e 50, li sobre a Rádio Nacional, mordisquei a história de Almirante e por fim adentrei pela literatura da história da MPB. Para mostrar um pouco desse muito, farei uma série de posts em torno do referido momento histórico.
Sem mais intrólitos, começarei mostrando uma canção muito peculiar na história nacional chamada As Cinco Estações do Ano. Foi composta em 1933 por Lamartine Babo e trata-se de uma homenagem às Rádios cariocas da época. São elas Educadora, Philips, Mayrink, Sociedade e Clube do Brasil.
As Cinco Estações do Ano
Antigamente eu banquei estação de águas
Hoje guardo as minhas mágoas num baú de tampo azul
Já fui fraquinha, mas agora já estou forte
Sou ouvida lá no Norte, quando o vento está no Sul
Transmite PRA-C (CCCC) Transmite PRA-C (CCCCCC)
A primeira estrofe refere-se a Rádio Educadora que por pouco não faliu. O motivo da emissora se reerguer foi a venda de anúncios publicitários.
Eu sou a Philips do samba e da fuzarca
Anuncio qualquer marca de trombone ou de café
Chega na hora do apito da sirene, grita logo a Dona Irene
Liga o rádio e vem "Cá... Zé
Transmite PRA-X (XXXX) Transmite PRA-X (XXXXXX)
A Rádio Phlips possuia anunciantes de todos os tipos e um programa muito popular chamado Casé
Sou a Mayrink popular e conhecida
Toda a gente fica louca, sou querida até no hospício
E quando chega sexta-feira, hein! Dona Clara
Sai até tapa na cara, só por causa do Patrício
Transmite PRA-K (KKKK) Transmite PRA-K (KKKKKK)
Patrício Teixeira era um cantor popular da rádio de maior audiência da época, a Mayrink e Veiga.
Sou conhecida aos quatro cantos da cidade
Sou a Rádio Sociedade, fico firme, agüento o tranco
Adoro o clássico, odeio a fuzarqueira
Minha gente fui parteira do Barão do Rio Branco
Transmite PRA-A (AAAA) transmite PRA-A (AAAAAA)
Primeira Rádio do Brasil, a Sociedade prezava pelo erudito.
Sou Rádio Clube, eu sou é home minha gente
Francamente sou do esporte, futebol me põe doente (gol!)
No galinheiro, se irradio para o povo,
cada gol que eu anuncio a galinha bota um ovo
Transmite PRA-B (BBBB) Transmite PRA-B (BBBBBB)
Na época havia preconceitos aos locutores de futebol, a estrofe refere-se a um episódio em que o locutor Amador Santos foi impedidio de entrar no estádio e teve que transmitir um FLA x FLU de um galinheiro.
Encontrei a música em um blog muito bom sobre história do rádio e afins, é bem mais dificil do que eu pensava achar este tipo de acervo daquela época. Deixo então o link de um podcast que o pessoal do Peças Raras elaborou.
Basta apertar play e voltar algumas décadas na voz de Carmen Miranda, Lamartine Babo, Almirante e Mário Reis.