sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sobre Comunicação e Política

Uma das matérias que tive este semestre, em Comunicação e Política debatemos bastante sobre a mídia como sistema e a capacidade do debate público modificar a realidade. Um dos motivadores para as discussões, além dos escritos de Habermas, Rousley Maia e Wilson Gomes, foi o documentário Entreatos.

O documentário revela os bastidores da campanha eleitoral de Lula em 2002.



É impressionante notar como toda a equipe do presidente foi 'exterminada' no mensalão de 2005. Quanto a comunicação, fiquei muito impressionada com o trabalho de Duda Mendonça. Em dado momento, quando o candidato Lula está no seu último debate, é armado um esquema de grupos de opinião com monitoramento em tempo real. A cada fala do candidado avaliava-se a interpretação das pessoas e isso era repassado ao presidente.

Fiquei estarrecida, não tinha noção da "maldade" da coisa... Sempre soube que o marketing político era muito atuante, mas não noção até que ponto.

Mídias Sociais

Post que fiz no Criaplano, blog do Núcleo de Planejamento da Cria UFMG Jr.



Este post é para dar exemplos da influência das mídias sociais na vida das marcas, produtos e pessoas. Vou me basear no Orkut. Apesar de já possuir seus 6 anos de existência, ainda é impressionante parar para pensar nessa rede, principalmente no que tange a organização das pessoas em comunidades. Houve um tempo que qualquer acontecimento banal era motivo suficiente para criar uma comunidade (e ainda não é?).

Fato é, que as pessoas desde então andam se organizado de acordo com seus interesses, das mais chulas pornografias até as mais nobres causas anticorrupção, existem comunidades para todos os gostos. Para o mercadão não poderia ter acontecido algo melhor do que os públicos se amotinarem por conta própria. Não existe pesquisa melhor que acompanhar o que andam opinando sobre diversos temas e produtos na internet, lugar onde os individuos se encontram livres e descontraídos. Super eficiente e com a generosa vantagem de ser gratuito.

O exemplo maior, que inclusive já ganhou um post inteiro do Criaplano é o Carrefour. Quem não sabia que a logomarca do supermercado era um C, provavelmente ficou sabendo graças à “mobilização” dos internautas no Orkut.

Um dos consensos entre os membros reunidos na comunidade “Farsa do símbolo do Carrefour” é acerca da ilusão que várias pessoas tinham da marca: “não é uma carinha feliz ou um ET de gorrinho vermelho como todos pensávamos”.


E por mera coincidência, veja quem aparece depois o “Precinho”:

Precinho o ET de gorrinho vermelho


Isso se repete com vários produtos que “por acaso” são lançados no mercado e suprem a necessidade dos internautas.


Chamito/Yakult:


Danoninho:


Pare para reparar e encontrará inúmeros exemplos, além destes que cito a Skol Litrão, Ruflles de 500g. Aos que sabem mais algum caso semelhante, não deixem de comentar e compartilhá-lo!

Era do Rádio 2

Transcrevi parte do meu relatório em que resumo meus estudos de rádio:

O rádio foi o primeiro veículo de massa a atingir individualmente as pessoas. Apesar de já existir o impresso, a maioria da população brasileira era analfabeta. Eis que surge uma caixa falante que seria capaz de unir um país com dimensões territoriais gigantes. E o princípio? Oh, como era difícil. O rádio foi inventado, as ondas foram descobertas, mas não havia nada criado acerca do seu conteúdo. Ou vocês acham que viria com um manual de instruções?

O rádio precisou ser inventado, hoje em dia é inconcebível imaginar uma estrutura radiofônica que não seja de programas entremeados por anúncios publicitários. Em 1930 o Brasil nem tinha uma propaganda expressiva. Este é o primeiro ano de Getúlio Vargas no poder e que começam a surgir as grandes empresas.

Nos primórdios o rádio era altamente elitizado. Os aparelhos eram caros e restritos a quem podia pagar. Existiam então os Rádio Clubes, onde os ricos iam escutar músicas clássicas reunidos. Pouco a pouco o aparelho foi se popularizando e as grandes emissoras nascendo. Existia uma discussão entre esses intelectuais, sobre a oportunidade de “eruditizar” a população. Não foi bem assim, o rádio se tornou extremamente popular. Entretanto, não há de se negar que tivemos um conteúdo e uma produção de qualidade.

Mas, para a criação do rádio foi preciso um ponto de partida. E o que se tinha conhecimento na época era o teatro, o cinema, a música, o jornalismo. As radionovelas eram completamente teatrais, o radiojornalismo começa com a leitura das manchetes dos impressos e a música era difundida graças à boa vontade das pessoas que emprestavam seus discos. A mistura destas e de tantas outras vertentes técnicas geraram o formato radiofônico.

Com a segunda guerra mundial, o desenvolvimento da indústria interna brasileira e a melhora das tecnologias o rádio se popularizou. Na década de 40 e 50 viveu seu apogeu. Ícone deste progresso era a Rádio Nacional. A maioria dos domicílios possuía o aparelho ligado durante todas as horas do dia, sintonizado na corte imaginária dos Reis da Voz e Rainhas do Rádio.
Em 1950 surge a TV. Praticamente imperando no Brasil a Rádio Nacional não deu muita credibilidade para o novo veículo, preferindo não trocar o certo pelo duvidoso. A Rádio Tupi, também carioca, segunda maior audiência do país enxergou o novo veículo como uma oportunidade e investiu pesado criando a TV Tupi. Resultado, paulatinamente, as rádios perderam sua imponência para os televisores, que ocuparam o lugar de destaque dos domicílios brasileiros.

Em 64 com o Golpe Militar a Rádio Nacional sofre denúncias e é fechada. A decadência do rádio é reafirmada com o estímulo dos generais para a popularização das emissoras e aparelhos de televisão.

É elementar que o rádio não acabou, está bem vivo, entretanto perdeu a representatividade que já possuiu outrora, quando se tinha que imaginar cada palavra emitida. É importante refletir que a maior parte do conteúdo televisivo tem origem pelo formato radiofônico. Não há como negar a qualidade deste veículo e a criatividade de quem o construiu.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Para não ficar só no som...

Antes que eu só fale de Rádio, durante o semestre também tivemos contato com o Audiovisual. Este vídeo consiste no nosso trabalho final.



Parece meio pirado e é mesmo. Eu e meu querido grupo tínhamos como desafio colocar um argumento, ideia dentro do formato audiovisual. Detalhe, ninguém sabia operar uma câmera e tampouco um Adobe Premier da vida. "Aprendemos" no tapa.

Nossa palavra chave foi Construção. Ficamos refletindo sobre as nossas vidas, como cada escolha leva a um lugar diferente, a tal ponto que estávamos nós discutindo um trabalho a ser feito. Nascemos em locais e épocas diferentes, com culturas e interesses muito diversos e estávamos juntas num mesmo objetivo.

Ai veio a viagem da construção, a vida é construída continuamente. Gravamos então uma "personagem-andante" que passa por diversos planos. Em determinado momento seus passos se misturam com o de outros, formando uma caminhada mesclada de pés. Cada pé tem um barulho de obra distinto, a "personagem-andante" é um martelo, os sons também se juntam e formam uma obra completa.(?)

Ainda que quase ninguém tenha entendido nossa intenção (era pra entender?), que o trabalho tenha sido muito grande, valeu a pena. Transformar ideias em resultados é muito gratificante, principalmente quando se integra um grupo disposto a experimentar loucuras.

Série sobre Era do Rádio

No início do semestre fomos motivados a escolher um tema, obviamente dentro da comunicação, para pesquisar ao longo do período. Resumidamente, esta foi a proposta da "disciplina" Projetos A 1.

Entre um leque inesgotável de estudos para se debruçar, uma amplitude enorme de assuntos para escolher, optei - como o título do post já denunciou - por dedicar meus dias a Era do Rádio. O objetivo era entender os Anos Dourados e todo o seu contexto histórico para chegar a um ponto pretendido, as músicas da época.

Comecei tendo nções gerais sobre a Era do Rádio, fui para uma análise sociológica do Brasil das décadas de 40 e 50, li sobre a Rádio Nacional, mordisquei a história de Almirante e por fim adentrei pela literatura da história da MPB. Para mostrar um pouco desse muito, farei uma série de posts em torno do referido momento histórico.

Sem mais intrólitos, começarei mostrando uma canção muito peculiar na história nacional chamada As Cinco Estações do Ano. Foi composta em 1933 por Lamartine Babo e trata-se de uma homenagem às Rádios cariocas da época. São elas Educadora, Philips, Mayrink, Sociedade e Clube do Brasil.

As Cinco Estações do Ano

Antigamente eu banquei estação de águas
Hoje guardo as minhas mágoas num baú de tampo azul
Já fui fraquinha, mas agora já estou forte
Sou ouvida lá no Norte, quando o vento está no Sul
Transmite PRA-C (CCCC) Transmite PRA-C (CCCCCC)


A primeira estrofe refere-se a Rádio Educadora que por pouco não faliu. O motivo da emissora se reerguer foi a venda de anúncios publicitários.

Eu sou a Philips do samba e da fuzarca
Anuncio qualquer marca de trombone ou de café
Chega na hora do apito da sirene, grita logo a Dona Irene
Liga o rádio e vem "Cá... Zé
Transmite PRA-X (XXXX) Transmite PRA-X (XXXXXX)

A Rádio Phlips possuia anunciantes de todos os tipos e um programa muito popular chamado Casé

Sou a Mayrink popular e conhecida
Toda a gente fica louca, sou querida até no hospício
E quando chega sexta-feira, hein! Dona Clara
Sai até tapa na cara, só por causa do Patrício
Transmite PRA-K (KKKK) Transmite PRA-K (KKKKKK)

Patrício Teixeira era um cantor popular da rádio de maior audiência da época, a Mayrink e Veiga.

Sou conhecida aos quatro cantos da cidade
Sou a Rádio Sociedade, fico firme, agüento o tranco
Adoro o clássico, odeio a fuzarqueira
Minha gente fui parteira do Barão do Rio Branco
Transmite PRA-A (AAAA) transmite PRA-A (AAAAAA)

Primeira Rádio do Brasil, a Sociedade prezava pelo erudito.

Sou Rádio Clube, eu sou é home minha gente
Francamente sou do esporte, futebol me põe doente (gol!)
No galinheiro, se irradio para o povo,
cada gol que eu anuncio a galinha bota um ovo
Transmite PRA-B (BBBB) Transmite PRA-B (BBBBBB)

Na época havia preconceitos aos locutores de futebol, a estrofe refere-se a um episódio em que o locutor Amador Santos foi impedidio de entrar no estádio e teve que transmitir um FLA x FLU de um galinheiro.


Encontrei a música em um blog muito bom sobre história do rádio e afins, é bem mais dificil do que eu pensava achar este tipo de acervo daquela época. Deixo então o link de um podcast que o pessoal do Peças Raras elaborou.



Basta apertar play e voltar algumas décadas na voz de Carmen Miranda, Lamartine Babo, Almirante e Mário Reis.

Primeira Postagem

Este blog surge por força da matéria Projetos A 1, do curso de Comunicação Social (travestido de Publicidade) da Universidade Federal de Minas Gerais. A intenção é que não seja só uma plataforma criada para apresentar o trabalho final e mostrar serviço, o ideal é que se torne um portifólio digital e mostre os percursos desta graduanda que não possui cachos nos cabelos.