Transcrevi parte do meu relatório em que resumo meus estudos de rádio:
O rádio foi o primeiro veículo de massa a atingir individualmente as pessoas. Apesar de já existir o impresso, a maioria da população brasileira era analfabeta. Eis que surge uma caixa falante que seria capaz de unir um país com dimensões territoriais gigantes. E o princípio? Oh, como era difícil. O rádio foi inventado, as ondas foram descobertas, mas não havia nada criado acerca do seu conteúdo. Ou vocês acham que viria com um manual de instruções?
O rádio precisou ser inventado, hoje em dia é inconcebível imaginar uma estrutura radiofônica que não seja de programas entremeados por anúncios publicitários. Em 1930 o Brasil nem tinha uma propaganda expressiva. Este é o primeiro ano de Getúlio Vargas no poder e que começam a surgir as grandes empresas.
Nos primórdios o rádio era altamente elitizado. Os aparelhos eram caros e restritos a quem podia pagar. Existiam então os Rádio Clubes, onde os ricos iam escutar músicas clássicas reunidos. Pouco a pouco o aparelho foi se popularizando e as grandes emissoras nascendo. Existia uma discussão entre esses intelectuais, sobre a oportunidade de “eruditizar” a população. Não foi bem assim, o rádio se tornou extremamente popular. Entretanto, não há de se negar que tivemos um conteúdo e uma produção de qualidade.
Mas, para a criação do rádio foi preciso um ponto de partida. E o que se tinha conhecimento na época era o teatro, o cinema, a música, o jornalismo. As radionovelas eram completamente teatrais, o radiojornalismo começa com a leitura das manchetes dos impressos e a música era difundida graças à boa vontade das pessoas que emprestavam seus discos. A mistura destas e de tantas outras vertentes técnicas geraram o formato radiofônico.
Com a segunda guerra mundial, o desenvolvimento da indústria interna brasileira e a melhora das tecnologias o rádio se popularizou. Na década de 40 e 50 viveu seu apogeu. Ícone deste progresso era a Rádio Nacional. A maioria dos domicílios possuía o aparelho ligado durante todas as horas do dia, sintonizado na corte imaginária dos Reis da Voz e Rainhas do Rádio.
Em 1950 surge a TV. Praticamente imperando no Brasil a Rádio Nacional não deu muita credibilidade para o novo veículo, preferindo não trocar o certo pelo duvidoso. A Rádio Tupi, também carioca, segunda maior audiência do país enxergou o novo veículo como uma oportunidade e investiu pesado criando a TV Tupi. Resultado, paulatinamente, as rádios perderam sua imponência para os televisores, que ocuparam o lugar de destaque dos domicílios brasileiros.
Em 64 com o Golpe Militar a Rádio Nacional sofre denúncias e é fechada. A decadência do rádio é reafirmada com o estímulo dos generais para a popularização das emissoras e aparelhos de televisão.
É elementar que o rádio não acabou, está bem vivo, entretanto perdeu a representatividade que já possuiu outrora, quando se tinha que imaginar cada palavra emitida. É importante refletir que a maior parte do conteúdo televisivo tem origem pelo formato radiofônico. Não há como negar a qualidade deste veículo e a criatividade de quem o construiu.
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